O Golem: vida feita de barro
É um dos mais fascinantes mitos judeus. É feito de barro à imagem do homem, tendo como propósitos a proteção da comunidade judaica e a realização de trabalhos braçais.Embora hajam citações na Bíblia Hebraica e no Talmud, o primeiro relato sobre o golem que se tornou famoso foi escrito no início do século XIX. Contava a criação de um deles pelo Rabbi Löw, na cidade de Praga do século XVI .
Em muitas dessas estórias é escrita na testa do ser a palavra AEMAETH, lida Emeth, Verdade. Ao se apagar a primeira letra , o Aleph resta a palavra MAETH , lida Meth, morte, o Golem retorna ao pó.
No corpo do Golem, as palavras e as coisas adquirem outras significações. Elas recuperam os desígnios da vida e da morte, os registros ancestrais da criação. O caráter de falibilidade e mortalidade da criatura, porém, espelha as incompletudes tanto desse corpo criado pelas mãos e pelas palavras, emulando a criação do homem por Deus, o homem em seu desejo de resolver o mistério e o enigma do Universo e da criação a partir da escrita e do saber inscrito no corpo. A transmissão desse saber se mostra infrutífera e impossível. O Golem levantava as sonolentas pálpebras e nada entendia, perdido em meio ao que para ele não passava de rumores, encenado como o homem, aprisionado na rede sonora temporal.
A lenda do golem forneceu elementos para alguns clássicos da literatura fantástica, principalmente entre autores alemães e judeus. Um dos primeiros marcos é o livro de 1909, Nifla'ot Maharal im ha-Golem ( em inglês "The Miraculous Deeds of Rabbi Loew with the Golem"), publicado por Judith Rosenberg como um manuscrito antigo, embora seguramente não escrito antes de 1890.
Quaisquer que sejam as versões da lenda, nenhuma delas supera o mais famoso romance já escrito sobre o mito: "O Golem" (Der Golem), de Gustav Meyrink (1868-1932), publicado na Alemanha em 1915 (traduzido para o inglês e publicado na Inglaterra em 1925).
A lenda sempre viva e revivida pode ser incorporada
ao nosso cyber-homem- corpo- cibernético,
essa realidade úmida e não decomposta:
natural ou artificial : humana!
No mínimo uma realidade híbrida .
Escolhemos “ o Golem” como tema de nossa dança e os poemas de Girondo como sua representação.
Escrito por Andréa Liette às 13h59
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